O que é a integração contínua?

A integração contínua é a prática de integrar continuamente as alterações de código de diferentes desenvolvedores que trabalham no mesmo código em um único projeto de software. Essa integração geralmente é atualizada automaticamente como um processo contínuo ao longo do dia para garantir que todas as alterações no código sejam registradas adequadamente. Essa estratégia é uma parte essencial de um sistema de desenvolvimento de software Agile, que é construído em torno do conceito de colaboração, com design voltado à escala e criação com sustentabilidade.

Diagrama de integração contínua

Em 1994, o termo “integração contínua” foi usado pela primeira vez pelo engenheiro de software americano Grady Booch, que é mais conhecido por ter desenvolvido a Unified Modeling Language (UML), mas também por seu trabalho inovador em arquitetura de software e ambientes de desenvolvimento colaborativo. A integração contínua tem sido empregada regularmente desde 1997 e agora é amplamente aceita como a melhor prática para o desenvolvimento de software. Embora o processo de integração contínua possa parecer um pouco diferente hoje do que há 20 anos, a teoria por trás dele permanece a mesma.

Uma maneira de entender a importância da integração contínua seria pensar na codificação de software como a construção de uma casa. Nesse caso, você tem muitos construtores (ou desenvolvedores) diferentes, todos construindo suas partes específicas do edifício (ou software) fora do local. Eles podem começar e parar seu trabalho em momentos diferentes, e um erro ou desvio em qualquer parte da arquitetura pode ser suficiente para tornar o resto da casa (ou programa) instável ou mesmo completamente inutilizável.

Nesta metáfora, quando você adiciona a integração contínua, os construtores são obrigados a visitar o local várias vezes ao dia para instalar o trabalho que eles concluíram para garantir que todas as peças estejam funcionando corretamente. Seja um caixilho de janela ou um telhado, ele precisa ser feito corretamente e testado para garantir que seja adequado para as partes existentes da casa. Nessa mesma linha de lógica, não adianta instalar os armários da cozinha se o telhado ainda não estiver pronto. A integração contínua ajuda a minimizar possíveis erros ou problemas ao longo do caminho que podem ocorrer se os desenvolvedores não estiverem de acordo.

Por que a integração contínua é usada?

O desenvolvimento de software geralmente é feito por várias equipes grandes, o que significa que não é incomum que ele esteja espalhado por diferentes fusos horários e áreas geográficas. Por causa disso, partes do desenvolvimento acontecerão simultaneamente, com várias pessoas trabalhando na mesma parte do software ao mesmo tempo, incapazes de ver o que os outros estão fazendo.

A integração contínua ajuda a garantir:

Economia de tempo: este talvez seja o ganho mais significativo, pois elimina qualquer duplicação de tarefas, automatizando todos os testes possíveis e mesclando processos, além de permitir um tempo de resposta mais rápido com testes e correções, e significa menos tempo perdido procurando bugs e erros. Para gerentes de projeto que examinam um gráfico de burndown, é fácil ver as tarefas sendo concluídas e carregadas. A economia de tempo também vem com o bônus adicional de economizar uma quantidade significativa de custos.

Um produto final muito mais robusto: testes regulares e completos do software, muitos dos quais automatizados, significam que menos correções de bugs serão necessárias na próxima rodada de desenvolvimento. Isso também significa que haverá menos bugs e erros no produto final, resultando em usuários finais mais felizes.

Melhor comunicação: o compartilhamento constante do código aumenta a velocidade e a eficiência da comunicação no local de trabalho.

Lançamentos de software mais rápidos: se um problema for encontrado ou um novo vírus surgir no software existente que os clientes estão usando, o ciclo de desenvolvimento para resolvê-los se torna muito mais rápido. Uma pequena mudança pode ser corrigida, testada e implementada em prazos muito curtos.

No geral, isso torna o código mais confiável, menos propenso a erros e bugs, economiza muito tempo e dinheiro e resulta em usuários finais mais felizes. É uma forma de mitigação de riscos que todo negócio deve praticar.

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Como a integração contínua se encaixa com a implantação contínua?

A prática de implantação contínua garante que o software esteja livre de bugs e pronto para implantação em qualquer ponto e que seja implantado “continuamente” para manter a confiabilidade. Por exemplo, você costuma receber atualizações de software em seu celular. Essa nova implantação garante que seus aplicativos estejam todos atualizados e seguros. Dessa forma, seu software está pronto para ser implantado a qualquer momento e, muitas vezes, para incorporar atualizações importantes. A integração contínua é uma parte vital da implantação contínua porque o software é constantemente atualizado, testado e considerado adequado para uso. Como a implantação contínua é a teoria de que, a qualquer momento, o software pode ser implantado, ou um cliente pode requisitá-lo, é imperativo que o software esteja pronto para uso.

Oito etapas da integração contínua e implantação contínua

Simplificando, o ciclo de CI/CD (Integração Contínua/Entrega Contínua) é um processo ágil de oito etapas, em loop contínuo, que garante um desenvolvimento de software rápido, eficaz e estável. As etapas de um a quatro se enquadram na integração contínua, enquanto as etapas de cinco a oito são vistas como parte do processo de entrega contínua.

  1. Planejamento: as mudanças no aplicativo são planejadas pela equipe do produto. Isso pode incluir correções de bugs, aprimoramentos de desempenho ou novos recursos a serem adicionados ao aplicativo.
  2. Código: os desenvolvedores codificam o software em suas máquinas locais. Cada desenvolvedor tem sua própria parte específica do sistema para desenvolver ou bug para resolver.
  3. Construção: uma vez que os desenvolvedores concluíram a segunda etapa, o novo código é enviado ao deposito de códigos e o aplicativo é compilado.
  4. Teste: os testadores verificam a funcionalidade e usabilidade do código. Ele faz o que foi projetado para fazer? Eles também testam se funciona com o restante do código existente. Testes automatizados devem ser usados para garantir que o novo código não interfira em algo que já faz parte do pacote. Se o código for considerado aceitável, ele será mesclado. Se houver erros que ainda precisam ser resolvidos, ele é enviado de volta ao desenvolvedor.
  5. Lançamento: uma vez concluído, o código refinado é mesclado com o software e pode ser definido para lançamento automatizado, pendente de aprovação.
  6. Implantação: o código é implantado automaticamente na produção.
  7. Operação: neste ponto, o novo código já pode ser operado dentro do ambiente de produção.
  8. Monitoramento: o desempenho do aplicativo é monitorado continuamente para encontrar bugs e identificar áreas onde o desempenho pode ser aprimorado. Este é um ciclo de feedback contínuo em que os dados coletados e analisados nesta etapa devem ser devolvidos à equipe do produto responsável pela etapa um, para que possam planejar continuamente as alterações e melhorias no aplicativo.

Benefícios da integração contínua

A razão pela qual tantas equipes ágeis usam a integração contínua é porque ela funciona incrivelmente bem para resolver muitos problemas de desenvolvimento de software. Ela garante que não haja dois desenvolvedores trabalhando no mesmo código ao mesmo tempo, evitando duplicação desnecessária.

A integração contínua também garante que a equipe esteja sempre trabalhando na atualização de software mais recente e, portanto, aproveitando as alterações mais recentes. Isso significa que não há caos de última hora na data de lançamento, pois todos carregam seu código e tentam verificar suas versões em relação a outras tarefas e seções de trabalho.

Com o desenvolvimento, uma mudança de linha, ou mesmo algo tão pequeno quanto um ponto final ou um colchete errado, pode inadvertidamente quebrar outras partes do software. Atualizações frequentes tornam mais fácil identificar o que causou o problema e corrigi-lo antes de passar para outras áreas. Elas também forçam os desenvolvedores a salvar seu trabalho com frequência e garante que os trechos de código finalizados sejam armazenados em um repositório compartilhado, geralmente na nuvem, onde está protegido contra interrupções localizadas de energia ou internet.

A integração contínua ajuda a evitar conflitos e falhas de integração. À medida que outros desenvolvedores atualizam seu trabalho, isso afeta aqueles que ainda não foram enviados. Atualizações regulares minimizam esses conflitos potenciais. De fato, quaisquer alterações, conflitos ou problemas podem ser identificados rapidamente logo após o envio do código. Isso significa que o desenvolvedor pode retornar ao seu trabalho imediatamente para corrigi-lo, enquanto ainda está fresco em sua mente.

As verificações constantes de código também ajudam os desenvolvedores a criar um código modular menos complexo, e a natureza automatizada da integração contínua significa uma redução de testes manuais demorados. Por fim, há o benefício de ter a disponibilidade constante da compilação finalizada atual para implantação contínua.

Desafios da integração contínua

Há, no entanto, uma série de desafios envolvidos na implementação da integração contínua. Tal como acontece com muitas tecnologias, é um campo contínuo e em constante evolução, com questões de alocação de recursos, ausência de educação formal e o processo frequentemente envolvido de automatizar código legado, entre outras coisas.

Problema: o lançamento da integração contínua como uma nova prática. Quando uma empresa já faz desenvolvimento há algum tempo e nunca usou a integração contínua, tentar implementar a prática de uma só vez pode se tornar complexo demais ou parecer impossível. A implementação da integração contínua precisa ser uma jornada, passando gradualmente de um sistema manual para um ambiente de desenvolvimento altamente automatizado. Encontrar o repositório de código certo, treinar os desenvolvedores para atualizar, fazer com que os testadores trabalhem ao lado dos desenvolvedores, tudo leva tempo, paciência e muita colaboração entre as equipes. Há também muitas decisões a serem tomadas ao longo do caminho, como: testes de UX ou testes funcionais devem acontecer primeiro? Os testes devem ser automatizados? Qual software é melhor? É uma grande mudança nas operações do dia a dia de uma empresa, bem como na cultura de responsabilidade.

Solução: um lançamento escalonado pode tirar um pouco da ansiedade de uma mudança tão grande e ajuda a acostumar a equipe às mudanças. Isso também significa que as pessoas podem aprender o processo de forma mais natural, em equipe e com pequenas tarefas. A mudança de cultura é mais difícil de abordar, mas a integração contínua promove um espírito de colaboração entre as equipes de desenvolvedores e, em última análise, deve ser benéfica a longo prazo.


Problema: a integração contínua e a implantação contínua são frequentemente mal compreendidas. Algumas empresas confundem ou interligam integração contínua com implantação contínua. São dois processos separados, e a integração contínua não precisa ser implantada automaticamente. A atualização contínua do software pode não ser adequada para todas as empresas e pode até ser um problema. Embora a integração contínua garanta que o código base esteja sempre pronto para ser implantado, isso não significa que necessariamente precise estar.

Solução: a solução para isso é principalmente a educação. Uma vez que a gestão tenha uma melhor compreensão de cada processo e dos benefícios, fica claro se são adequados para o negócio.


Problema: processos contínuos repetitivos. Existem muitos processos repetitivos e demorados em toda a cadeia de desenvolvimento. Essas tarefas não são apenas frustrantes para desenvolvedores altamente qualificados, mas também são propensas a erros.

Solução: automatize todos os processos possíveis. Grande parte do trabalho manual, como teste, construção e implantação, pode ser quase completamente automatizada. A automação garante um processo livre de erros e permite que os desenvolvedores continuem criando novos softwares em vez de ficarem presos em um ciclo de tarefas simples.


Problema: código legado. Se houver um sistema existente com 'código legado', normalmente é um processo longo e complicado automatizar o teste para esse código.

Solução: é importante pesar os prós e os contras de converter seu código legado. As tarefas ainda precisarão ser concluídas e mescladas e testadas manualmente. Neste caso, vale a pena debater se a integração contínua é a resposta certa para este projeto.

Introdução e dimensionamento da integração contínua

Muitas vezes, empresas ou equipes de desenvolvimento de software podem começar pequenas. Essas pequenas equipes podem trabalhar em partes isoladas do código e, em seguida, ter um 'dia de mesclagem', quando todas as tarefas concluídas são mescladas juntas. Isso funciona melhor para equipes menores com funções e tarefas muito definidas.

No entanto, à medida que a equipe aumenta, o dia da mesclagem pode se tornar rapidamente uma tarefa estressante e demorada, resultando em vários conflitos, bugs e problemas. Cada desenvolvedor que adiciona seu trabalho agrava o problema; portanto, é difícil identificar onde surgem os conflitos e os erros.

Pilares da integração contínua

A integração contínua é construída em torno de várias outras práticas recomendadas de software. Ela engloba técnicas como testes automatizados, automação de compilação, controle de versão e implantações automatizadas. Cada uma delas tem seu próprio ecossistema de filosofias e ferramentas, que serão exploradas a seguir.

Gerenciamento de controle de versão

O controle de versão é um pilar vital da integração contínua. O gerenciamento da fonte da versão comunica e resolve conflitos entre desenvolvedores que trabalham simultaneamente na mesma base de código.

Testes automatizados

Qualquer projeto de software precisa de testes completos e repetidos. Isso pode consumir muito tempo e ser repetitivo, então ferramentas foram desenvolvidas para automatizar partes do processo de teste. Essas ferramentas de teste executam automaticamente casos de teste em partes específicas do sistema. Quando um desenvolvedor envia o código para o repositório, isso aciona o início do teste automatizado.

Automação de compilação

As compilações geralmente são chamadas de instantâneo do módulo de versão atual. Essas compilações são finalmente distribuídas aos usuários finais por meio de vários canais potenciais diferentes. As ferramentas de integração contínua ajudam a simplificar o processo de criação de uma versão. As automações de compilação também podem configurar lançamentos para serem acionados por determinados eventos. Por exemplo, quando um novo trecho de código é mesclado na ramificação de produção da base de código, ele aciona a automação do upload da compilação em um servidor remoto, onde os usuários podem acessá-lo e baixá-lo.

Implantações automatizadas

Cada processo de implantação é diferente dependendo do que está sendo construído. Por exemplo, um software automatizado implantará uma página da Web em um servidor da Web. A compilação criada na etapa anterior será copiada automaticamente em servidores da Web para um projeto da Web, carregada em uma loja para uma atualização de aplicativo, bem como em qualquer outro canal em que precise ser implantado.

A integração contínua é a chave para o desenvolvimento de software bem sucedido

A integração contínua é importante porque ajuda as equipes de desenvolvimento Agile e as empresas a atingir suas metas, criando um ambiente que incentiva a colaboração e um software mais robusto e confiável por meio de testes regulares e completos e correções de bugs rápidas e precisas.